Meditação: fundamentos
científicos
O objetivo desta monografia é, com base em dados
coletados em pesquisas sobre meditação
realizadas em centros de pesquisas internacionalmente
reconhecidos, no fim do século XX e início
do século XXI, procurar estabelecer bases científicas
que permitam uma melhor compreensão dos efeitos
da meditação no corpo e na mente do ser
humano, e, desta forma estabelecer fundamentos seguros
para sua aplicação em medicina, psicologia
e outras profissões voltadas para a saúde.
Ao findar-se a primeira década do século
XXI, um observador mais atento verifica que o ser humano
vive permanentemente em busca de um sentido para sua
vida, procurando encontrar-se a si mesmo. Esta característica
de nossa era decorre de que muitos conhecimentos préexistentes,
tidos até então como certos, passaram a
ser questionados ou abandonados. Há uma busca
incessante por novos para-digmas que orientem o ser humano
em sua jornada em busca da felicidade.
Percebe-se um movimento coletivo da humanidade em busca
do auto-conhecimento, pois o ser humano sabe que sua
felicidade está dentro dele, em última
instância. Daí a necessidade das instituições
de ensino superior, responsáveis pela formação
de líderes que orientarão as gerações
futuras, se debruçarem sobre a dimensão
humanística da problemática humana.
A meditação, caminho que a civilização
oriental segue há milênios para buscar o
auto-conhecimento e a felicidade, é hoje reconhecida
nos meios médicos e psicológicos mais desenvolvidos
do mundo ocidental como instrumento útil para
tratar doenças orgânicas e psíquicas.
O estudo científico da
meditação,
no ocidente, teve início com pesquisas do Dr.
Herbert Benson, professor da Faculdade de Medicina da
Harvard University, no início dos anos 70, em
pessoas que praticavam uma forma de meditação
conhecida como Meditação Transcendental.
(Benson, 1975, Levine, 2000).
O governo dos Estados Unidos
criou no National Institutes of Health (Instituto Nacional
da Saúde), órgão
similar ao Ministério da Saúde do Brasil,
o Office of Alternative Medicine-OAM (Instituto de Medicina
Alternativa), para pesquisar formas alternativas e complementares
da Medicina, tais como meditação, acupuntura,
etc.
O Office of Alternative Medicine – OAM, que mudou sua denominação
para National Center for Complementary and Alter-native Medicine – NCCAM,
publicou estudo recente com a posição da entidade sobre meditação,
que foi classificada como procedimento de saúde, depois de avaliar diversos
artigos médicos publicados em todo o mundo (httt//w.w.w.nccam.nih.gov/health).
Para Khalsa (2001), dentre os estudos mais objetivos e rigorosos feitos sobre
a meditação está o relatório publicado em 1994 pelo
Office of Alternative Medicine. Este relatório afirma que ao longo de
vinte e cinco anos Benson e seus colegas desenvolveram um grande corpo de pesquisa,
que considera a meditação em geral e a resposta de relaxamento
em particular não mais como uma forma alternativa de medicina, mas sim
como fazendo parte da própria corrente principal da Medicina.
Os participantes da pesquisa praticaram a Meditação Transcendental,
na qual o meditador senta quietamente e concentra sua mente em uma frase – mantra – que é repetida
durante vinte minutos. Surge como resposta mudanças fisiológicas
e bioquímicas significantes que permanecem muitas horas depois de terminar
a meditação, proporcionando melhora na saúde do meditador.
Segundo Benson (1975), durante o relaxamento há estimulação
do parassimpático diminuindo o número de batimentos do coração,
que bate mais devagar. A respiração fica mais lenta, diminui a
quantidade de oxigênio consumida pelo corpo, há relaxamento muscular,
pois a tensão dos músculos fica abaixo dos níveis de repouso
e diminui a pressão sanguínea. Há redução
dos processos metabólicos orgânicos que leva a um estado de baixo
metabolismo. Concomitantemente há alterações hormonais
e modificações das ondas elétricas cerebrais, com predomínio
das lentas, alfa e teta.
Benson denominou de resposta
de relaxamento a estas mudanças e considerou-as
opostas à resposta do estresse. Levantou a hipótese que a resposta
de relaxamento desper-tada regularmente poderia ter como efeito a melhoria da
saúde, pois protegeria o organismo da ação nociva do estresse.
A continuidade da prática do relaxamento poderia proporcio-nar um sentimento
de maior controle sobre a vida do meditador, que pode vir a controlar suas emoções
depois de semanas ou meses de prática.
Na Faculdade de Medicina de
Harvard, no Mind / Body Medical Institute, o relaxamento é utilizado
em um programa para ajudar as pessoas, especialmente os alunos do segundo grau,
na administração do estresse e da ansiedade. Benson, mentor do
programa, acredita que ele pode ajudar a prevenir o comportamento violento e
autodestrutivo entre os jovens, como o suicídio, e a desenvolver habilidades
que lhes permitam conviver com o estresse de forma adequada pelo resto de suas
vidas.
Como consequência das pesquisas de Benson, nos últimos quarenta
anos centenas de pesquisas foram realizadas, levando à crença
de que as diversas formas de meditação são úteis
para o tratamento de diversas doenças orgânicas e mentais.
Além da Meditação
Transcendental são utilizadas outras
formas de meditação com finalidade médica e psicoterapêutica.
Dentre elas destaca-se a Meditação da Mente Alerta (Mindfullness),
a milenar meditação Vipassana budista, que é utilizada
desde 1990 por Kabat-Zinn (1991, 2001), na Stress Redution Clinic do Medical
Center da University of Massachussetts.
Nesta meditação
o meditador fica atento para perceber a cada momento
seus sentimentos, sensações e pensamentos,
sem fixar sua atenção
em nenhum deles. Atenta também para o que se passa no ambiente, sem fixar
sua atenção em nenhum evento percebido. Em síntese, ele
fica atento para perceber o que se passa no seu mundo interior e exterior.
Salvador - 2010.
Jair de Oliveira Santos
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