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Pesquisa revela que curso superior triplica
renda familiar
"Uma família sem nenhum integrante
com curso superior tem uma renda mensal equivalente a R$1.215,24.
O rendimento
mensal mais que triplica e passa para R$3.817,96 nas famílias
que têm uma pessoa com curso superior e salta para
R$6.994,98 em lares com pelos menos duas pessoas que cursavam
ou concluíram um curso superior".
Curso superior aumenta renda familiar
30/08/2007 09:29h - O mito de que um curso universitário é ineficaz
para aumentar a renda da população no Brasil
foi desmentido por novos dados da Pesquisa de Orçamentos
Familiares (POF) 2002/2003, divulgados ontem pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A
pesquisa, realizada por amostra em todo o país,
revela que a renda familiar tem ganhos significativos conforme
a presença na casa de membros com curso superior
completo.
Uma família sem nenhum integrante
com curso superior tem uma renda mensal equivalente a R$1.215,24.
O rendimento
mensal mais que triplica e passa para R$3.817,96 nas famílias
que têm uma pessoa com curso superior e salta para
R$6.994,98 em lares com pelos menos duas pessoas que cursavam
ou concluíram um curso superior.
Para o pesquisador do IBGE José Mauro de Freitas
Júnior, a Pesquisa de Orçamentos Familiares
revela de forma mais enfática a importância
do curso superior para o crescimento da renda no país. "Ter
um curso superior causa um impacto cavalar sobre o rendimento
das família", pontua o economista Samuel Pessôa,
da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Em um cenário de elevado nível de desemprego,
Freitas Júnior, do IBGE, afirma que a maior escolaridade é um
fator de mobilidade social e configura uma vantagem competitiva
no mercado de trabalho. "Ter um nível superior
não garante um emprego de alta renda, mas dá a
possibilidade de se conseguir um emprego melhor",
diz o pesquisador do IBGE.
Samuel Pessôa acrescenta que o curso superior é uma
espécie de seguro contra o desemprego, que atinge
mais os menos instruídos. O economista da Fundação
Getúlio Vargas ressalta que o curso universitário,
diante da recente universalização da educação
no país, também tem a função
de preencher falhas do ensino médio e de suprir
carências daqueles que cresceram em ambientes com
pouco acesso à cultura e à informação.
"O nosso background faz com que uma pessoa fique
mais na escola para ter o mesmo nível de conhecimento
de uma pessoa que estudou menos em países ricos
ou que seja integrante de uma família rica no país",
disse Pessôa. Mesmo que um engenheiro formado trabalhe
em uma atividade abaixo de sua qualificação,
o conhecimento adquirido no ensino superior vai ser útil
para a execução de suas atividades, reforça
Pessoa.
A
POF mostra, entretanto, que 84% das 48,5 milhões
famílias brasileiras eram formadas por pessoas sem
curso superior em 2002/2003. Para o pesquisador do IBGE,
tal informação reflete a alta concentração
da renda e do consumo no país.
Apenas 4,8 milhões de lares, 9,9% do total, apresentavam
um integrante com curso superior em andamento ou concluído.
Já o número de domicílios com pelo
menos duas pessoas que chegaram ao ensino superior correspondia
a somente 2,9 milhões, ou o equivalente a 6% das
famílias brasileiras.
Segundo a pesquisa, a maior parte dos
chefes dos domicílios
estudou de quatro a sete anos, ou seja, não conseguiu
concluir a oitava série do ensino fundamental. Neste
caso, a renda média familiar mensal correspondeu
a R$1.324,85.
Na outra ponta, em casas onde o responsável é mais
instruído, com pelo menos o ensino médio
completo, a renda mensal sobe para R$ 3.796,50.
Nos domicílios chefiados por pessoas
que freqüentaram
a escola menos de um ano na vida, a renda baixa para R$752,49.
No grupo dos responsáveis da casa que estudaram
de um a três anos, a renda da família era
de R$971,24, enquanto que os estudaram de oito a dez anos,
a renda mensal correspondeu a R$1.667,12.
Fonte: Valor Econômico
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