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COMENTÁRIO AOS CAPÍTULOS 1º, 2º E 3º
DO LIVRO DE DANIEL GOLEMAN INTELIGÊNCIA
SOCIAL: O PODER DAS RELAÇÕES HUMANAS

Profa. Angelina de Athayde.

Goleman aborda o que ele chama de uma nova ciência sobre o relacionamento interpessoal e coloca como descoberta fundamental o fato de que “fomos programados para nos conectar”. A neurociência descobriu que o próprio design do cérebro o torna “sociável”, ou seja, há uma íntima ligação cérebro a cérebro sempre que nos entrosamos com outra pessoa. Essa ligação neural afeta o cérebro – como conseqüência o corpo – de todas as pessoas com as quais interagimos, exatamente como elas fazem conosco.

Quanto mais forte nossa ligação emocional com outra pessoa, maior é a força mútua. As trocas mais potentes ocorrem com as pessoas com as quais passamos maior parte do tempo, sobretudo as que nos são mais queridas.
Nossas interações sociais operam como moduladores. Os sentimentos resultantes têm conseqüências que se reproduzem em nosso corpo, secretando hormônios que regulam os sistemas biológicos - do coração ao sistema imunológico. Hoje a ciência já é capaz de monitorar as conexões entre os relacionamentos mais estressantes e o funcionamento de genes específicos que regulam o sistema imunológico. Isso significa que os nossos relacionamentos interferem e moldam não só a nossa experiência, como o nosso sistema biológico. Essa ligação pode ser de duas formas: os relacionamentos positivos que têm um impacto benéfico sobre nossa saúde e os relacionamentos tóxicos ou negativos, que fazem mal e ao longo do tempo podem funcionar como um lento envenenamento do organismo.
Neste livro suas atenções se voltaram para os momentos efêmeros que surgem na interação entre indivíduos.

Sua investigação começa com perguntas como:
- O que torna um psicopata perigosamente manipulador?
- Como ajudar os filhos a se transformarem em pessoas felizes?
- O que faz de um casamento uma base estável e saudável?
- Os relacionamentos podem nos conferir proteção contra doenças?
- Um professor ou líder pode preparar o cérebro dos alunos ou trabalhadores para dar o melhor de si?
- Como grupos raciais marcados pelo ódio podem conviver em paz?
- O que esses insights podem contribuir para o tipo de sociedade que somos capazes de construir – e para o que realmente importa na vida de cada indivíduo?

NEUROCIÊNCIA SOCIAL

O autor foca sua atenção em descobertas esclarecedoras no campo da neurociência social. O que chamou sua atenção foram vários artigos acadêmicos e noticias que apontavam para uma compreensão científica mais clara da dinâmica neural dos relacionamentos humanos:
- um novo tipo de neurônio, recém descoberto, a célula fusiforme, atua com extrema velocidade, permitindo ao indivíduo tomar decisões sociais em milésimos de segundo – descobriu-se que tais células existem em maior quantidade no cérebro humano do que em qualquer outra espécie. Uma variedade diferente de células cerebrais, os neurônios-espelho, são capazes de sentir tanto os movimentos que a outra pessoa está prestes a fazer com referência a seus sentimentos, preparando-nos instantaneamente para imitar tais movimentos e sentimentos.

Segundo Goleman, o conjunto dessas experiências formam o contorno de uma nova disciplina que foi chamada de “neurociência social”. Ao pesquisar a origem do termo descobriu que o uso do termo remonta de 1990, usado pelos psicólogos John Cacioppo e Gary Berntson. Hoje, segundo Cacioppo , podemos começar a entender como o cérebro administra o comportamento social e, por sua vez, como nosso mundo social influencia o cérebro e nossa biologia. Cacciopo, hoje, é diretor do Center for Cognitive and Social Neuroscience da Universidade de Chicago. Parte das pesquisas iniciais de Caccioppo revela ligações entre o envolvimento em relacionamento problemático e elevações dos hormônios do estresse a níveis que danificam os genes responsáveis pelo controle das células que combatem os vírus.

O que acontece no cérebro de uma pessoa ao olhar o ser amado ou ao olhar uma pessoa intolerante?
O cérebro social é a soma dos mecanismos neurais que orquestram nossas interações, bem como nossos pensamentos e sentimentos a respeito das pessoas dos nossos relacionamentos. É importante ressaltar que o cérebro social representa o único sistema biológico de nosso organismo que nos sintoniza, continuamente, com o estado interno das pessoas com as quais convivemos e se é influenciado por ele. Todos os outros sistemas biológicos regulam sua atividade como reação aos sinais que surgem de dentro do corpo para fora. Sempre que ocorre uma conexão face a face, voz a voz ou pele a pele com outra pessoa, nossos cérebros sociais se entrosam. Essas novas descobertas revelam que nossos relacionamentos têm um impacto sutil, porém poderoso e duradouro, sobre nós.

Com base nessas informações pode-se chegar à conclusão do que significa ser inteligente com relação ao mundo social.
Goleman informa que pelos idos de 1920, quando houve a explosão de entusiasmo sobre os testes de QI, o psicólogo Edward Thorndick criou o conceito original de “Inteligência Social”, definindo como “a capacidade de entender e administrar homens e mulheres”.

Para o autor quando se fala em inteligência social significa que ser inteligente é “pensar a respeito de nossos relacionamentos” e também em nossos relacionamentos. Dessa forma ele amplia o foco da inteligência social da visão de uma pessoa para a perspectiva de duas pessoas.

A ECONOMIA EMOCIONAL

Goleman inicia este capítulo contando um fato que ocorreu com ele. Para cortar o caminho entrou em uma área privada, sem que tivesse informação a respeito e ao se deparar com o segurança do prédio por onde atravessava, este reagiu com raiva, gritando com ameaças, demonstrando repulsa ou desprezo. Apesar do conhecimento em emoções Goleman sentiu raiva, também. Com esse exemplo quer demonstrar que as emoções são contagiantes, ativando no outro as mesmas emoções. Coloca que “pegamos” emoções negativas da mesma forma como pegamos um vírus.

Aqui fazemos uma ressalva no sentido de que concordamos em parte, porque se tivermos informação e quisermos não nos deixar contaminar pela emoção negativa do outro, seremos capazes, já do vírus não há como nos livrarmos. Para o autor a sensação que se tem no fim de um dia ao ser considerado “um dia ótimo” ou “um dia péssimo”, depende das interações que ocorrem durante o dia, do equilíbrio dos sentimentos que trocamos. Ou seja, uma pessoa tem a capacidade de alterar o humor do outro e vice-versa. Afirma que as emoções passam de uma pessoa para outra, de fora para dentro. Ao ser afetado pela raiva de alguém o cérebro verifica, automaticamente, a presença de sinais de perigo maior. A reação é provocada pela ação da amígdala cerebral que gera a reação de luta, fuga ou inércia, diante do perigo. O medo é a emoção que mais provoca a amígdala. Quando ativada pelo alarme o circuito da amígdala ativa pontos-chave do cérebro, orientando os pensamentos, atenção e percepção para o que provocou o medo. Automaticamente fica-se mais atenta à expressão facial das pessoas que estão ao redor, em busca de sorrisos ou sinais de desaprovação para que se possa interpretar melhor os sinais de perigo.
Essa maior vigilância gerada pela amígdala aumenta a atenção para as dicas emocionais transmitidas por outras pessoas. Esse foco intensificado, evoca em nós o sentimento do outro, aumentando o contágio. Dessa forma os momentos de apreensão deixam o indivíduo mais susceptível às emoções de outra pessoa.

A amígdala funciona como um radar do cérebro, chamando a atenção para o que pode ser novo, surpreendente ou importante e necessita investigação. Embora esta importância da amígdala não seja novidade para a neurociência, sua função social, como parte do sistema cerebral de contágio emocional só foi revelada recentemente.

A VIA SECUNDÁRIA: CENTRAL DE CONTAGIO

A comunicação social se dá através de duas vias: uma principal e uma via secundária, que percorrem caminhos diferentes no cérebro. Isto foi comprovado através uma experiência feita com um paciente que sofreu dois derrames que destruíram as conexões entre os olhos e o restante do sistema cerebral responsável pela visão, no córtex cerebral. O paciente era considerado completamente cego. Em testes realizados, foi apresentado ao Paciente X várias formas como círculos e quadrados, ou fotografias e rostos de homens e mulheres e o paciente não tinha a menor idéia do que se tratava. Mas quando os médicos lhe mostraram imagens de pessoas com expressão de raiva e felicidade, ele conseguiu adivinhar o que representavam tais emoções, isto significa que imagens do cérebro registradas enquanto o Paciente X adivinhava os sentimentos, revelaram uma alternativa nos trajetos habituais da visão que fluem dos olhos, para o tálamo, local por onde entram todos os sentidos no cérebro e vão para o córtex visual. Esta é a via secundária, que envia informações diretamente do tálamo para a amígdala. A amígdala extrai o significado emocional da mensagem não verbal, seja um olhar mal humorado, uma mudança repentina de postura, ou uma alteração no tom de voz, microssegundos antes de sabermos o que está a nossa frente.

Embora a amígdala tenha uma sensibilidade peculiar a tais mensagens, seus circuitos não proporcionam acesso direto aos centros da fala - nesse sentido a amígdala é literalmente muda. Quando registramos um sentimento, os sinais de nossos circuitos cerebrais, em vez de alertar as áreas verbais, imitam essa emoção no nosso corpo. Assim o Paciente X não está vendo as emoções no rosto, mas as sente, esse fato é denominado “cegueira afetiva”.

Nos cérebros sem lesões, a amígdala usa esse mesmo caminho para ler o aspecto emocional de tudo o que percebemos e processa as informações subliminarmente, chegando à consciência. Esta consciência reflexiva sinaliza a emoção, despertando a mesma emoção , ou uma reação a ela. Este é o mecanismo chave para sermos “contagiados” pelo sentimento de outra pessoa.

O contágio emocional é um exemplo do que é chamado de “via secundária” em ação.
A via secundária é o circuito que opera de forma automática, com uma velocidade muito grande (corresponde ao cérebro emocional).

A via principal atravessa os sistemas neurais que atuam mais metodicamente. Estamos conscientes dela, isso proporciona um pouco de controle sobre nossa vida interior. Ou seja, quando agimos de forma consciente é com essa via que atuamos. A via secundária nos permite saber imediatamente o que o outro está sentindo, a principal reflete o que sentimos. Em geral as duas se misturam. A via secundária utiliza o circuito neural que passa pela amígdala e “nós” automáticos semelhantes.
A via principal envia sinais ao córtex pré-frontal, centro executivo do cérebro, que permite pensar sobre o que nos está acontecendo.

GATILHOS DO HUMOR – EMOÇÕES CONTAGIANTES

Neste título o autor fala sobre o contágio das emoções. Sabe-se que um tom de voz, a expressão facial de uma pessoa, contagia outras, Na verdade ele se refere à descoberta feita por cientistas, dos chamados “neurônios espelhos”. Como as emoções contagiam até multidões. Cita um exemplo bastante significativo ocorrido durante a exibição de um filme mudo, produzido pelos irmãos Lumière, pioneiros da fotografia. Eles apresentam ao público um filme totalmente mudo. A história de um trem que chega a uma estação soltando fumaça avançando na direção da câmera. A reação do público presente foi de correr aterrorizado ou se esconder sob os bancos.

O que ocorreu foi que o público registrou como “verdadeiro” a cena sinistra da imagem da tela. Esta cena foi considerada como o acontecimento mais mágico e poderoso da história do cinema. O que o olho viu foi apenas uma ilusão, entretanto, o seu sistema de percepção registrou o fato como realidade. Isso porque o cérebro responde à ilusão criada pelo filme com o mesmo circuito que responde à vida em si. Até as emoções passadas na tela contagiam.

Em nosso livro “Educação Emocional, o caminho para a competência emocional, pg. 104, dizemos que “o cérebro é atemporal, isto é, não distingue se a emoção é atual e real ou resultante de programação passada, o sistema límbico age da mesma forma diante de emoção acionada pelo pensamento...” Da mesma maneira a contaminação da emoção ocorre quando se está diante de situações como no caso da cena do cinema. O mesmo não ocorre quando a cena localiza-se nas áreas do córtex pré-frontal, onde estão localizados os centros executivos do cérebro que facilitam o raciocínio crítico como por exemplo o pensamento “é só um filme”, isso impede que diante da cena o indivíduo saia correndo, como no caso citado, embora seja possível sentir-se o medo.

UM RADAR PARA A INSINCERIDADE

Ainda querendo demonstrar o contágio das emoções, Goleman refere-se a um experimento ocorrido na Stanford University a que foram submetidas duas mulheres, ao assistirem um documentário angustiante sobre as conseqüências humanas das bombas nucleares lançadas em Hiroshina e Nagasaki, durante a segunda guerra mundial.

Uma das mulheres foi instruída para não demonstrar nenhuma emoção diante das cenas e a outra não recebeu nenhuma instrução. O resultado é que aquela que não demonstrou suas emoções, causou mal estar à outra que expressou-se diante das cenas, suscitando nesta, críticas e sentimento de antipatia pela outra.

O resultado do experimento mostrou que as conseqüências fisiológicas foram idênticas nas duas. A pressão arterial de ambas sofreu alteração e a conclusão do experimento foi que a tensão também é contagiosa. Isto significa que a espontaneidade é a resposta padrão do cérebro, ou seja, os circuitos neurais transmitem toda e qualquer alteração aos músculos de um modo geral e aos músculos da face em especial, tornando os sentimentos visíveis, instantaneamente. A exibição da emoção é automática e não consciente, por isso sua supressão exige esforço consciente.

Existe o chamado radar neural específico envolvido e que foi revelado em um estudo no qual algumas imagens cerebrais de voluntários foram visualizadas enquanto assistiam a cada um dos vários atores contarem uma história trágica. Foi detectado uma grande diferença nas regiões neurais específicas ativadas , dependendo da expressão facial do ator que contava a história. Se o rosto do ator mostrava uma expressão de tristeza , a amigdala do ouvinte e os circuitos relacionados a esse sentimento eram ativados. Se o ator sorrisse ao contar uma história triste, uma contradição emocional, o cérebro do ouvinte ativava um local especializado em vigilância para ameaças sociais ou informações conflitantes. Neste caso os ouvintes antipatizavam ostensivamente com o ator que contava a história.

A amigdala examina, automaticamente e compulsivamente, todas as pessoas que encontramos pela frente, questionando se podemos, ou não, confiar nelas. Este fato não acontece em pacientes com danos neurológicos situados na amigdala.

A intuição é um trabalho da via secundária.
Goleman conclue este capítulo mostrando que a Empatia é que leva as pessoas a sentirem a mesma emoção do outro. Quando se trata de casais ou pessoas muito ligadas o corpo de um vai levando o outro a assumir as mesmas reações e a fisiologia de ambos é alterada na mesma proporção, quer se trate de emoções agradáveis ou desagradáveis. Chama a atenção para a importância da relação interpessoal, porque as emoções que nos contagiam têm suas conseqüências , por isso é importante aprender como mudar as emoções desagradáveis por emoções agradáveis. Se a conexão se estabelece através emoções positivas haverá sintonia. No caso de emoções negativas existirá uma distonia e uma dissonância.

É importante ressaltar que a comunicação que a mãe estabelece com seu bebê com relação aos sentimentos será a pedra fundamental da comunicação na vida adulta.


CAPITULO 3 - WI FI NEURAL

Neste capítulo ele continua chamando a atenção para o contágio das emoções. O contágio das emoções representa um evento neural importante: “a formação entre dois cérebros de um elo funcional, um loop de feedback que atravessa a barreira do crânio entre os corpos.”
Em termos de sistemas isto significa que durante essa ligação os cérebros se acoplam e o resultado é que um se torna a entrada que impulsiona o funcionamento do outro, formando, temporariamente, o equivalente a um circuito inter-cerebral. Nessa conexão em um loop de feedback, se o primeiro muda, o segundo também muda. O loop permite a sincronia de sentimentos, pensamentos e ações. Enviamos e recebemos estados internos (para melhor ou para pior) – riso e ternura ou tensão e rancor e o resultado será uma ressonância ou uma dissonância.

O loop entre os cérebros ocorre sem que os indivíduos estejam conscientes, ocorre de forma automática. É possível intencionalmente um individuo imitar o outro com o objetivo de aumentar a intimidade, mas não há sincronia nessa interação.

O caráter automático da via secundária permite sua rapidez. A amígdala detecta sinais de medo no rosto de alguém com uma velocidade enorme, captando-os em trinta e três milissegundos e em alguns indivíduos pode chegar a menos de 17 milissegundos, ou seja, menos de dois centésimos de segundo. Essa leitura rápida atesta a enorme velocidade da via secundária.

Nem sempre se constata, conscientemente, a sincronia com o outro, embora os dois indivíduos estejam se entrosando com facilidade. Esta sincronia espontânea decorre do trabalho de uma classe especial de neurônios – os chamados “neurônios-espelho”. Estes neurônios refletem uma ação que observamos em outro indivíduo, levando-nos a imitar a ação, ou ter o impulso de imitar. As pistas principais da via inferior passam por esse tipo de neurônio. Já se sabe que temos diversos sistemas de neurônios espelho e ainda estão sendo descobertos outros, ao longo do tempo e dos estudos. Muitos ainda não foram mapeados.

Os neurônios-espelho começaram a ser descobertos, acidentalmente, pelos neurocientistas em 1992. Estavam mapeando a área sensório-motora do cérebro de macacos usando eletrodos tão finos, que tinham de ser implantados em células cerebrais isoladas, verificando quais células eram ativadas durante um movimento específico. Os neurônios dessa área se mostravam precisos, ou seja, alguns neurônios só eram ativados quando o macaco estava segurando algo na mão; outros quando estavam rasgando um objeto. A descoberta aconteceu, de fato, quando os cientistas viram uma célula sensório-motora ativada quando o macaco observou o assistente da pesquisa levar um sorvete à boca.

Ficaram surpresos ao descobrir que um conjunto específico de neurônios parecia ativar-se quando o macaco via outro macaco, ou um dos experimentadores, fazer um dado movimento. Esta primeira observação dos neurônios espelho em ação nos macacos, foi encontrado, também, no cérebro humano. No ser humano um eletrodo mínimo monitorava um único neurônio em um indivíduo acordado, o neurônio se ativava quando a pessoa previa o sofrimento – um beliscão, por exemplo – ou quando via outra pessoa receber o beliscão. Isto foi considerado um instantâneo neural da empatia primitiva em ação.

Descobriu-se que muitos neurônios espelho atuam no córtex pré-motor, que governa atividades que vão da fala e dos movimentos à simples intenção de agir. Como eles estão próximos aos neurônios motores, sua localização significa que as áreas do cérebro que iniciam um movimento podem começar a se ativar, também, quando se observa uma outra pessoa fazendo aquele mesmo movimento.

São diversos os sistemas neuronais no cérebro humano, não só para imitar, mas, também, para ler intenções e para ler as emoções. Experiências feitas com voluntários que se submeteram a uma ressonância magnética assistindo a um vídeo mostram que o voluntário ativa no cérebro, as mesmas áreas que estão sendo ativadas pelas pessoas que aparecem no vídeo. Isto significa que os neurônios espelho tornam as emoções contagiosas. Ajuda às pessoas a entrarem em sincronia, sentindo o outro, no sentido mais amplo da palavra, ou seja, tendo os mesmos sentimentos, movimentos, sensações e emoções.

Conclui-se, então, que a habilidade social depende dos neurônios espelho. Isto facilita o entrosamento com o outro, preparando-nos e possibilitando uma resposta rápida e adequada. Percebendo o que a outra pessoa tem em mente e os motivos correspondentes.

Sabe-se hoje que os neurônios espelho são essenciais para a forma como as crianças aprendem. Os neurônios espelho humanos são mais flexíveis e diversos daqueles encontrados nos macacos. Ao imitar o que a outra pessoa faz ou sente, estes neurônios criam uma sensibilidade compartilhada, levando para dentro de nós o que está do lado de fora.
Foi Giacomo Rizzolatti, neurocientista italiano que descobriu os neurônios espelho. Segundo ele estes sistemas “nos permitem entender a mente dos outros não apenas pelo raciocínio conceitual, mas por simulação direta – pensando, não sentindo.”

Os sinais externos desses elos foram detalhados pelo psiquiatra americano que trabalha na Universidade de Genebra, Daniel Stern. Durante décadas fez observações sistemáticas de mães e filhos. Explora, também, as interações entre psicoterapeutas e seus clientes, entre casais amantes. Concluiu que nossos sistemas nervosos “foram construídos para ser captados pelos sistemas nervosos de outras pessoas, para que possamos vivenciá-los como se estivéssemos vivendo aquilo pessoalmente”.

Nesses momentos há ressonância entre as nossas experiências e a experiência do outro e vice-versa. Stern acrescenta, “não podemos ver nossas mentes como tão independentes, separadas e isoladas. Devemos vê-las como permeáveis, interagindo como se estivessem ligadas por um elo invisível.” O circuito dos músculos faciais garante que as emoções que fluem dentro de nós sejam mostradas para que os outros as leiam. Os neurônios espelho garantem que ao vermos uma emoção expressa no rosto de outra pessoa, possamos vivenciar o mesmo sentimento, ou um sentimento complementar. Esta ligação entre os cérebros faz com que os corpos se movimentem em conjunto, os pensamentos percorram as mesmas vias e as emoções transitem pelas mesmas linhas. Esse fato abre caminho para comunicações sutis, porém muito poderosas, porque há congruência entre os dois.

Sabe-se através de estudos feitos que quando um casal briga, o corpo de cada parceiro tende a imitar as perturbações do outro. Experiências feitas demonstram que ao ser mostrado um vídeo de casais brigando os voluntários que emitem sua opinião sobre a briga tiveram a própria fisiologia alterada, acompanhando a do casal. A empatia é a responsável pelos resultados descritos, ou seja, a pessoa que sente empatia, compartilha, sutilmente, do estado psicológico da pessoa com a qual entrou em sintonia.

Concluindo podemos observar como as emoções que nos contagiam geram conseqüências positivas ou negativas e este fato é importante para motivar a mudança de emoções negativas e desagradáveis, por emoções agradáveis, capazes de gerar bem estar e qualidade de vida.
Convidamos a que as pessoas reflitam a respeito de seus relacionamentos não só no papel de casal e familiar, como também, nas relações profissionais e na escolha de amigos.


 

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Sexta-feira, 18/05/2012.

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