Home Vestibular Salvador 2012 - Administração, Ciências Contábeis, Psicologia - Bolsa de Estudos ENEM PROUNI
Graduação - Cursos
Mensalidades
Vestibular
AVA
Currículos
Bolsas
Convênios
Inteligência Emocional
Publicações Eletrônicas
Estágios
Portal do Aluno
Ouvidoria
Egressos
Diplomas Registrados
Administração
Ciências Contábeis
Psicologia
Pós-Graduação
Coordenação Estágio
Ativ. Complementares
Produção Acadêmica
NUPEDI
CPA
Clínica de Psicologia
 
 
Vestibular Salvador - Inscrições

REFLEXÕES SOCIOLÓGICAS SOBRE
O CONCEITO DE “INTELIGÊNCIA SOCIAL”
DE DANIEL GOLEMAN

Prof. Fabiano V. Oliveira

1. Questionamentos e contribuições.
Para que serve a Inteligência Social? A tradição do método sociológico nos faz realizar esse primeiro questionamento para lembrar que, apesar da natureza adversa da academia, o tema merece atenção também dos acadêmicos.

Considerada por sociólogos como leitura de aeroporto, isto é, texto de auto-ajuda, o argumento de Daniel Goleman encontra ressonância em outras áreas do conhecimento e em outras comunidades científicas que não a mais ortodoxa. Desse modo, segundo a mentalidade de Thomas Khun e suas estruturas das revoluções científicas, o que vale aqui é responder para que serve a Inteligência Social para esta comunidade de pensadores sobre as emoções.

Admitir e reconhecer os processos neurofisiológicos ajudam em que na compreensão dos processos interativos? Esse é outro questionamento que a Sociologia e a Antropologia das Emoções têm obrigação de fazer, mesmo que até o momento não se tenha estabelecido uma agenda mais aprofundada nesse nível da discussão sociológica das emoções. Até o momento o que se tem é o debate sobre os vocabulários das emoções, ou dos sentimentos (o que já é uma indiscriminação perigosa do ponto de vista neurocientífico), e as formas de expressão das mesmas diante das diversas situações sociais. Em princípio, admitir e reconhecer tais processos ajudam a entender apenas a origem dos processos interativos, mas ainda é a descrição semântica (dos seus significados) que contam para as tomadas de decisão individuais e sociais.

Como a arquitetura cerebral é modificada pelos novos padrões sócio-ambientais de nossa sociedade atual? O ambiente moderno e pós-moderno apresenta uma série de novos elementos sócio-semânticos que precisam ser levados em conta no momento de avaliar as reações emocionais individuais.

Além disso, diante dos novos conhecimentos em neurociência, aparentemente bem sustentados por várias pesquisas, o design cerebral sociável, isto é, aberto a construção e interação constantes, possibilita uma percepção da vida em sociedade bastante ampla de possibilidades, sejam positivas ou negativas, muito a depender do fator educação aplicado aos indivíduos que aprendem a viver nesta sociedade.

A partir desses questionamentos básicos, algumas conseqüências precisam ser elaboradas como possíveis questionamentos diante das teorias de Inteligência Social apresentadas por Daniel Goleman.

As relações estão restritas às relações face-face? Como lidar com o processo de encastelamento, que restringe os contatos face-face? Especialmente diante hoje de uma sociedade tão intensamente midiatizada pelos meios de comunicação de massa e pelas novas tecnologias de informação e comunicação (TICs).

O aprendizado da Inteligência Social pode ser usado em estratégias de dominação e liderança? A utilidade prática imediata de tal estudo, se é que se baseia em elementos realmente possíveis de serem manipulados pelos indivíduos interessados, é justamente essa: usar a Competência da Inteligência Social para superar obstáculos nos ambientes coletivos. Os empresariais e competitivos seriam os mais eminentes de absorverem tais tecnologias.

Daí surge uma nova questão: como fica a questão da formação dos valores? Será que o Etnocentrismo explica o conflito entre Mente Tribal e Vida Global? Os indivíduos respondem socialmente aos estímulos emocionais, sim ou não? Porque se estes são os casos dos novos questionamentos, então, a Inteligência Social nada mais é que Inteligência Emocional. Isto é, uma elaboração mais aprofundada das técnicas de construção da competência emocional dos indivíduos, porém nos âmbitos sociais dos mais diversos.

2. Posicionamento Sociológico

A contribuição do aprendizado e da socialização nos fazem remeter aos conceitos de Sociabilidade e de Poder Simbólico. O primeiro conceito, tributário da sociologia de Georg Simmel nos fala da importância das interações do dia-dia para a construção da vida social oficial. E o segundo conceito, desenvolvido por Pierre Bourdieu, que guarda a importância dos habitus dos grupos sociais detentores de poder que permitem a entrada de novos membros diante da aquisição do poder simbólico (títulos, relações e reconhecimento). E ambos os conceitos podem ser ricamente relacionados com a Inteligência Social de Daniel Goleman.

Os indivíduos só são indivíduos em sociedade. O aprendizado da Inteligência Social só é viável ao se reconhecer o outro (empatia, relação EU-TU). Que prossegue com o processo de socialização e aprendizado. Indivíduos educados dentro desse paradigma tenderão a reproduzi-lo em suas relações futuras.

Esses estudos fazem parte da mesma estrutura estruturada e estruturante na qual as relações de poder e a produção do conhecimento são ferramentas de dominação. Novamente, como diz Pierre Bourdieu sobre o poder e a violência simbólica, é uma possibilidade sociológica que existe em qualquer forma de conhecimento.

Logo, não se pode negar que os estudos sobre Inteligência Social são uma forma de verdade cuja utilidade não é meramente filantrópica.

3. Desdobramentos

O conceito de Contágio Emocional e o aprendizado da capacidade de interagir é bastante pertinente dentro de uma abordagem interacional, pois daí pode-se compreender uma série de comportamentos individuais baseados na influência social.

O conceito de Neurônios Espelho afeta também a compreensão dos processos de Sociabilidade, pois permite um olhar complementar ao de Simmel sobre como o prazer ou o desprazer influenciam nas relações entre os indivíduos em diversas situações oficiais e não oficiais.

Além disso, o cérebro só pode ser enganado com estímulos ilusórios simbólicos após o aprendizado desses símbolos. Isto é, as modificações na arquitetura cerebral é dependente dos elementos simbólicos que dão significado (social) às relações humanas.

Para o sociólogo é relevante a relação entre os processos decisórios e as conseqüências coletivas dos mesmos, isto é, a contribuição à sociologia dos elementos até aqui mencionados se encontra na melhor compreensão da origem e possível modificação dos padrões de comportamento dos indivíduos em situações sociais diversas.
O que nos leva a algumas conclusões provisórias.

4. Conclusão

Muito mais que um processo neurofisiológico, que é inegável, o que interessa é notar como o desenvolvimento da Inteligência Social dos indivíduos afeta a vida coletiva. Pode-se até fingir tudo que se sente, mas o que vai contar nas relações sociais é o que é expresso, mesmo que os neurônios espelho sintonizem diferente. Ex.: interações entre pessoas de níveis hierárquicos diferentes. Deve ser vantajoso para ambos desenvolver competência emocional, pois fará a relação ser bem mais agradável e produtiva. Infelizmente não é isso que ocorre na maioria das vezes. Então, falta-lhes Inteligência Social.

Referências
ACCIOLY, J. ATHAYDE, A. Educação Emocional. Salvador: GSH, 1996.
AKTOUF, Omar. Pós-globalização, administração e racionalidade econômica. Trad.: Maria Trylinski. São Paulo: Atlas, 2004.
BOURDIEU, Pierre. O Poder Simbólico. Trad.: Fernando Tomaz. 4.ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2001.
DAMÁSIO, António. Em busca de Espinosa: prazer e dor na ciência dos sentimentos. São Paulo: Cia. das Letras, 2004.
_________________. O Erro de Descartes: emoção, razão e o cérebro humano. Trad.: Dora Vicente e Georgina Segurado. São Paulo: Cia. das Letras, 1996.
DORES, António Pedro. Os erros de Damásio: homenagem a uma fonte de inspiração. SOCIOLOGIA, PROBLEMAS E PRÁTICAS, n.º 49, pp. 119-138. Lisboa: ISCTE, 2005.
DURKHEIM, Émile. Os Pensadores: textos. Trad.: Luz Cary e outros. São Paulo: Abril, 1978.
ELIAS, Norbert. A sociedade dos indivíduos. Trad.: Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: JZE, 1994.
ESPINHEIRA, Gey. Os limites do indivíduo. Salvador: Fundação Pedro Calmon..., 2005.
GIDDENS, Anthony. As conseqüências da modernidade. Trad.: Raul Fiker. São Paulo: Unesp, 1991.
HESSEN, Johannes. Teoria do conhecimento. Trad.: João Cuter. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
KLEIN, Stefan. A fórmula da felicidade. Trad.: Kristina Michahelles. Rio de Janeiro: Sextante, 2005.
KOURY, Mauro Guilherme Pinheiro. Introdução à sociologia da emoção. João Pessoa: Manufatura/GREM, 2004.
______________________________. A antropologia das emoções no Brasil. João Pessoa: GREM/UFP, 2005.
KUHN, Thomas S. Estrutura das revoluções científicas. Trad.: __. São Paulo: Perspectiva, 1982.
SANTOS, Jair. Educação Emocional na Escola. Salvador: FCA, 2000.
___________. Seminário sobre intuição. Salvador: FCA, 2001.
___________. Um paradigma para a educação pós-moderna. Salvador: FCA, 2004.
SELIGMAN, Martin E. Felicidade Autêntica. Rio de Janeiro: Objetiva, 2004.
SIMMEL, Georg. Questões fundamentais da sociologia. Trad.: Pedro Caldas. Rio de Janeiro: JZE, 2006.




 

« Voltar

Untitled Document
Sexta-feira, 18/05/2012.

Parceiros
Ensino de Qualidade com Plano Inteligente de Mensalidades
Webmail
Google
Rua Marechal Andréa, Nº 265 - Pituba - Salvador - BA - Tel: (71) 3248-1455. © WinSoft Internet Solutions